quarta-feira, 27 de maio de 2015


ÉTICA E NOVAS TECNOLOGIAS   (CONCLUSÃO) Marcondes Teles

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Aristóteles diz que, o centro da ética é a felicidade - um estado de autonomia vivido em termos pessoal e social. Definiu dessa forma, o campo para as ações éticas, pois se o fim indiscutível de toda ação humana é a felicidade, a tarefa da ética é averiguar como se chega a esse fim.

ETICA, Etimologicamente, (éthos) hábitos e costumes e (êthos) moradia. Por esse prisma, a ética visa tornar a moradia um local habitável, bom e produtor de felicidade. Ou seja, viver bem está relacionado com valores imprescindíveis e princípios que fundamentem as ações humanas. As novas tecnologias, dão facilidades e conforto ao dia a dia e também alguns problemas, tais como os dilemas éticos. Saber utilizar os diferentes recursos tecnológicos com consciência, criticidade e responsabilidade, especialmente na convivência solidária e feliz, requerem o balizamento das atitudes, escolhas e opiniões, a partir dos próprios desejos e também dos interesses coletivos.

Há uma tendência natural de focarmos na ideia de que a tecnologia moderna se restringe ao computador e sua utilização, nas comunicações, emfim, as redes sociais. Mas a novas tecnologias estão em todos os ramos e atividades da vida humana. Desde as questões relativas a saúde, células tronco, fertilização in vitro, etc passando pelas questões agrícolas, como os transgênicos.
Contudo, em breve relato histórico, devemos lembrar que a 5 mil anos, os egípcios, construíram pirâmides. Na primeira Guerra mundial, o uso de aviões, teria motivado o suicídio do brasileiro Santos Dumont. Após a segunda Guerra mundial, cogitou-se a ética nas novas tecnologias e uso de armas letais em massa, a partir do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, enfim assinado pelas grandes potências mundiais em 1968.

O processo de desenvolvimento da tecnologia e da informação na sociedade contemporânea é notável. Diariamente temos notícias de novos produtos mais práticos de se usar e mais modernos. A tecnologia surgiu do trabalho do homem, do seu esforço de facilitar a sua vida tornando o seu trabalho menos árduo. As questões concernentes às novas tecnologias fazem parte do campo de alcance da ética. Segundo Mario Bunge, a tecnoética é o ramo da ética que investiga os problemas morais levantados pela tecnologia. Trata, das questões que envolvem os impactos ambientais e sociais dos projetos tecnológicos, da utilização de máquinas e dispositivos de automação e do uso de recursos das novas tecnologias.
Na medida em que os indivíduos refletem e amadurecem questões sobre a responsabilidade moral e política do homem em relação ao próprio homem, novas responsabilidades ao nível de outros indivíduos solidificam-se, assim como a responsabilidade dos profissionais que operam com tecnologia da informação.

A cultura brasileira, que costuma priorizar a criminalização, recentemente criou a Lei Carolina Dikma, como instrumento de regulação do uso de novas tecnologias invasivas na vida das pessoas, tais como a ação dos paparazzis e a divulgação de materiais sem o devido e prévio consentimento de seus autores.
As sociedades modernas estão diante de um grande paradoxo, pois, ao mesmo tempo em que a tecnologia se faz cada vez mais presente na vida das pessoas, as suas consequências – muitas vezes imprevisíveis e até mesmo danosas ao ser humano, estão impondo novas reflexões AXIOLÓGICAS. Dessa forma, as novas tecnologias também devem ser vistas como dilemas morais, já que seu uso pode trazer consequências profundas para a humanidade e para o planeta.

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